Fonte: Tatame – Reportagem Guilherme Cruz
Parceiro de treino de Charles do Bronx’s e Felipe Sertanejo, Henrique “Rasputin” Gomes faz sua segunda luta profissional de MMA no fim do mês, na edição de número 37 do Jungle Fight, que acontece no Ibirapuera, em São Paulo. O atleta encara o peruano Jack Duzman, e, em entrevista exclusiva à TATAME, aposta no treino forte para se manter invicto.
“Treinei muito para isso, só com os melhores. Irei desempenhar meu papel da melhor forma possível. Vai dar tudo certo e espero sair com a vitória. A oportunidade foi dada e agora será agarrada com toda minha força”, promete Rasputin, que teve que travar uma batalha diferente há pouco tempo: com a justiça.
O atleta foi confundido com um criminoso e acabou preso durante vários dias. O atleta, que faz parte da Corregedoria, acabou perdendo diversos direitos, inclusive os de ministrar aulas de defesa pessoal e mesmo de competir.
“Tiraram minha arma, meu colete, eu não podia dirigir viatura nem sair para a rua ou atender o público porque eles montaram um processo de vazamento de informação como se eu tivesse dado informações confidenciais para alunos… Eles me acusavam de ter batido num cliente da casa noturna simplesmente pelo fato de que eu era lutador. Quem me conhece sabe muito bem que eu jamais agrediria um animal, quanto mais um ser humano”.
Com o fim da ação, Henrique escolheu sair da corporação e se dedicar às artes marciais. “Eu amei a PM, mas com tudo que tinha acontecido, eu desanimei e fui atrás do meu grande sonho desde moleque, de lutar e me sustentar através disso”, explica.
Confira abaixo a entrevista na íntegra:
Como começou nas lutas?
Eu comecei a lutar em 1992, em uma academia de Caratê no Tatuapé. Treinei Capoeira e mais tarde vim a treinar Kung Fu, mas foi em 2003 que conheci o Jiu-Jitsu. Comecei a treinar Muay Thai e o Boxe, e ouvi falar em Vale-Tudo na Gold Team.
É onde treina até hoje?
Hoje eu treino na Xtreme Gold Team, e também na Chute Boxe com o Diego Lima e o (Felipe) Sertanejo, atleta do UFC. Treino também com o Charles do Bronx’s e o mestre Ericson Cardoso no Memorial da Gold Team, em Santos.
Qual o seu cartel?
Lutei uma luta profissional no evento chamado Galpão Fight, ganhando por pontos, e uma amadora no Faísca Fight, perdendo por pontos.
O que espera da sua próxima luta?
Irei lutar o maior evento da América Latina. Treinei muito pra isso, só com os melhores. Além disso, irei representar meu país e disso eu entendo bem: patriotismo. Irei desempenhar meu papel da melhor forma possível. Vai dar tudo e espero sair com a vitória. A oportunidade foi dada e agora será agarrada com toda minha força.
O que aconteceu entre você e a PM?
Eu fui confundido com um rapaz que fazia bico numa casa noturna no Tatuapé, fui preso e mantido nove dias na Corregedoria da PM, sendo que eu trabalhava na Corregedoria. Fiz de tudo para provar que não era eu, e consegui, mas uma série de coincidências levaram os policiais a me manter preso. Após isso ser provado, que não era eu, começou uma cadeia desenfreada de perseguições e corte dos meus direitos, coisas injustas contra mim, como, por exemplo, a transferência para trabalhar no Presídio Militar Romão Gomes e o corte no direito de dar aulas de defesa pessoal no centro de formação de soldados.
Tudo isso só piorou com a representação criminal que fiz contra o Coronel Corregedor, que foi aceita pelo Tribunal de Justiça Militar. Até hoje eles tentam provar que eu estava lá e que fazia bico, coisa que eu nunca fiz. Tiraram-me todos os direitos como PM, como de representar a corporação, sendo que fui por dois anos campeão de Jiu-Jitsu da PM. Tiraram minha arma, meu colete, eu não podia dirigir viatura nem sair para a rua, ou atender o público porque eles montaram um processo de vazamento de informação como se eu tivesse dado informações confidenciais para alunos que eu dava aula na academia, e que faziam bico nessa mesma casa noturna, sendo que isso não aconteceu.
Eles quiseram te impedir de trabalhar com MMA?
Eles me acusavam de ter batido num cliente da casa noturna simplesmente pelo fato de que eu era lutador. Quem me conhece sabe muito bem que eu jamais agrediria um animal, quanto mais um ser humano. Sou cristão e se peco em algo é em ser um cara tranquilo e bom com todos. Esse preconceito tem que acabar, isso é uma vergonha.
Qual foi a sua postura, e como a PM reagiu?
A minha postura de um artista marcial foi a mesma de sempre: tratando todos com dignidade, respeitando e sendo compromissado e muito esforçado independente do lugar de onde eu trabalhava. Fui humilhado e tratado como assassino, mas resisti e provei que eu não tinha nada com aquilo que estava acontecendo. Continuei a treinar fazendo com que os novos policiais da unidade que fui trabalhar se tornassem meus amigos, mas continuei tocando o processo contra o Coronel. Minha postura foi essa, de exigir justiça a tudo que tinha acontecido ao preconceito que eu tinha sofrido pelo simples fato de treinar artes marciais.
Por que decidiu largar a corporação para se dedicar integralmente ao esporte?
Surgiu a oportunidade de lutar o Jungle Fight e meu comprometimento, o respeito entre os outros lutadores e a vontade do sonho foi aumentando. Percebi que a PM já não estava me ajudando a construir este sonho, mas sim tentando acabar com ele.
O esporte sempre foi minha vida. Como diz o grande Helio Gracie: qualquer um que saiba passar algo dentro de um tatame é considerado um rei. Eu sempre treinei muito e não sofro pressão por ter que representar minha equipe, minha família, gosto deste clima de competir.
Eu amei a PM, mas com tudo que tinha acontecido, eu desanimei e fui atrás do meu grande sonho desde moleque, de lutar e me sustentar através disso. Hoje com a ajuda de muitos colaboradores como o Maurão (dos Santos) conseguirei dar meu primeiro e muito importante passo na construção de um sonho.
Você se arrepende dessa escolha?
Jamais! Nunca estive tão feliz e centrado na minha vida. A luta pra mim é tudo, e viver disso é uma arte. Como meu pai sempre me diz: trabalhe com que se ama e não trabalhe nunca.
CARD COMPLETO (sujeito a modificações):
Jungle Fight 37
São Paulo
Sábado, 31 de março de 2012
- Adriano Martins enfrentará Jimmy Donahue;
- Kleber Orgulho enfrentará Aldo Sultão;
- Neilson Gomes enfrentará Ivan “Batman”;
- Henrique “Raputin” Gomes enfrentará Jack Guzman;
- Ildemar “Marajó” Alcântara enfrentará Leonardo Iturralde;
- Edson “Conterrâneo” enfrentará Alexandre “Bebezão”;
- Ricardo “Mirrado” Maciel enfrentará Gilberto Dias;
- Michael “Trator” enfrentará Douglas Bertazini.








